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30/01/2026

O que muda no crédito, na demanda e nos investimentos em 2026

Após alguns anos marcados por juros elevados, maior rigor na concessão de crédito e decisões de compra mais adiadas, o mercado imobiliário brasileiro entra em 2026 com uma mudança clara de perspectiva. O cenário ainda exige cautela, mas os fundamentos apontam para um ambiente mais funcional, com maior previsibilidade e retomada gradual do protagonismo do financiamento imobiliário.


A expectativa de redução da taxa Selic, combinada à ampliação das linhas de crédito e ao fortalecimento dos programas habitacionais, cria condições mais favoráveis para o setor — especialmente em comparação aos últimos ciclos. Não se trata de um movimento de euforia, mas de reorganização do mercado em bases mais sustentáveis.


O crédito volta a destravar decisões de compra

Um dos principais vetores dessa mudança é o crédito. Com a projeção de queda gradual dos juros ao longo de 2026, o financiamento imobiliário tende a recuperar sua relevância como instrumento de acesso à moradia, sobretudo para famílias que haviam sido excluídas do mercado pelo alto custo do dinheiro.


Estimativas do setor indicam que pequenas reduções nas taxas já são suficientes para recolocar milhares de compradores em condições de financiamento. Isso tem impacto direto na demanda reprimida, acumulada nos últimos anos, e ajuda a reativar o ritmo de lançamentos e vendas, especialmente nos grandes centros urbanos.


Produção concentrada e comportamentos distintos por faixa de renda

Outro traço marcante do mercado atual é a forte concentração da produção imobiliária nas faixas de entrada. Programas habitacionais seguem como motor do setor, respondendo pela maior parte dos lançamentos e apresentando maior liquidez, velocidade de vendas e previsibilidade.


Enquanto isso, o segmento de renda média — com imóveis entre aproximadamente R$ 700 mil e R$ 1,5 milhão — continua sendo o mais sensível às condições de crédito. Nesse grupo, a decisão de compra depende diretamente da evolução dos juros e das condições oferecidas pelos bancos.


Já o mercado de alta renda apresenta um comportamento distinto. Compradores acima desse patamar tendem a ter menor dependência do financiamento tradicional, tomando decisões mais ligadas à preservação patrimonial, localização e qualidade do ativo, o que confere maior estabilidade a esse segmento mesmo em cenários macroeconômicos desafiadores.


Financiamento, FGTS e novas fontes de recursos

Do lado estrutural, o financiamento habitacional também passa por ajustes relevantes. A ampliação do orçamento do FGTS destinado ao crédito imobiliário, somada à modernização das regras do Sistema Financeiro da Habitação, deve aumentar o volume de recursos disponíveis para o setor ao longo de 2026.


Essas medidas contribuem para reduzir gargalos históricos de funding e ampliam a capacidade de financiamento, beneficiando tanto compradores quanto incorporadoras. Para a construção civil, que opera com horizontes de médio e longo prazo, esse ambiente traz maior segurança para a continuidade dos investimentos, independentemente do calendário político.


Impactos no mercado de capitais e nos fundos imobiliários

A expectativa de juros mais baixos também se reflete no mercado de capitais ligado ao setor imobiliário. Fundos imobiliários voltados a ativos físicos, como galpões logísticos, edifícios corporativos e shopping centers, tendem a se beneficiar de um ambiente de menor custo de capital e retomada gradual da ocupação.


O mercado de locação deve permanecer aquecido no início de 2026, com ajustes naturais ao longo do ano, influenciado por fatores sazonais e macroeconômicos. Além disso, as mudanças tributárias em curso começam a desenhar, ainda que de forma gradual, um cenário de maior competitividade para os fundos imobiliários no médio e longo prazo.


Um mercado mais maduro e seletivo

O ano de 2026 não inaugura um ciclo de crescimento acelerado, mas consolida um mercado mais maduro, seletivo e orientado por fundamentos. Crédito mais acessível, maior clareza regulatória e programas habitacionais fortalecidos criam um ambiente de transição — no qual decisões bem informadas ganham ainda mais relevância.


Para compradores, investidores e proprietários, compreender essas dinâmicas será essencial para identificar oportunidades reais e tomar decisões alinhadas ao momento do mercado imobiliário brasileiro.