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11/09/2026

Setembro Amarelo: lugares e iniciativas que trabalham pela saúde mental na Vila Mariana

Quando falamos sobre saúde mental, é comum pensarmos primeiro em consultas, diagnósticos e tratamentos. Mas o cuidado é muito mais amplo.


Ele também passa pela possibilidade de ser ouvido, encontrar apoio, criar vínculos, participar de atividades coletivas, ter acesso à cultura e à educação e, principalmente, saber onde procurar ajuda quando algo não vai bem.


Neste Setembro Amarelo, nós reunimos algumas iniciativas e serviços da Vila Mariana e de seu entorno que trabalham, de diferentes maneiras, com saúde mental, acolhimento e cuidado.


Projeto Quixote: saúde mental, arte, educação e acolhimento

Localizado na Vila Mariana, o Projeto Quixote atua desde 1996 junto a crianças, adolescentes e famílias em situações de vulnerabilidade.


A organização integra atendimento clínico, psicossocial, pedagógico e social, trabalhando também com arte, educação e fortalecimento dos vínculos familiares.


Seu Programa Clínico e Psicossocial oferece atendimento médico, psiquiátrico e psicológico, além de outras especialidades. No local também funciona o CAPS IJ II Projeto Quixote, serviço da rede pública voltado à saúde mental de crianças e adolescentes.


Mais do que tratar sintomas, a proposta do Projeto Quixote parte da escuta e do cuidado com a subjetividade, os afetos, as relações e as possibilidades de futuro.


É um exemplo de como saúde mental também pode ser trabalhada por meio da arte, da educação, do acolhimento e da construção de vínculos.


CECCO Parque Ibirapuera: convivência também é cuidado

A saúde mental também pode encontrar espaço na convivência.


O Centro de Convivência e Cooperativa (CECCO) Parque Ibirapuera, localizado no Portão 5 do parque, integra a rede municipal de saúde e trabalha justamente com a criação de espaços de convivência, participação e inclusão.


A proposta dos CECCOs amplia a ideia tradicional de cuidado em saúde. São espaços que aproximam saúde, cultura, atividades coletivas e convivência, criando oportunidades para que diferentes pessoas participem da vida comunitária.


Em uma cidade marcada pela pressa, pelo excesso de estímulos e pelo isolamento, ter lugares para estar, caminhar, conviver, também importa.


O cuidado com a saúde mental não acontece somente quando estamos diante de uma crise. Ele também pode fazer parte da nossa rotina.


CAISM Vila Mariana: atendimento especializado em saúde mental

Na Rua Major Maragliano está o Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental da Vila Mariana (CAISM VM), um hospital-escola 100% SUS, ligado à UNIFESP e à SPDM.


O serviço atende crianças, adolescentes, adultos e idosos com diferentes condições psiquiátricas e questões relacionadas ao uso de substâncias psicoativas.


Sua estrutura reúne ambulatórios, Hospital-Dia, Pronto-Socorro e Unidade de Psiquiatria Geral, permitindo diferentes modalidades de cuidado de acordo com as necessidades de cada paciente.


O CAISM também desenvolve atividades de ensino e pesquisa e mantém programas especializados em diferentes áreas da saúde mental, incluindo o Conversas de Vida, voltado à promoção de esperança e prevenção do suicídio.


É importante destacar que o acesso ao CAISM varia conforme a situação. Para atendimentos não emergenciais, os casos novos são encaminhados pela rede de saúde por meio do sistema de regulação. Em situações de urgência e emergência, o Pronto-Socorro funciona 24 horas.


CAPS: uma rede pública de acolhimento

A Vila Mariana e seu entorno também contam com diferentes unidades dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).


Eles são serviços públicos fundamentais dentro da Rede de Atenção Psicossocial e oferecem atendimento multiprofissional para pessoas em sofrimento psíquico e em diferentes situações relacionadas à saúde mental.


Na região, estão, por exemplo, o CAPS AD II Vila Mariana, voltado a questões relacionadas ao uso de álcool e outras drogas; o CAPS Adulto II Jabaquara; o CAPS IJ II Projeto Quixote e o CAPS IJ II Jabaquara “Casinha”, voltados ao atendimento de crianças e adolescentes.


Um ponto importante é que os CAPS municipais trabalham em regime de porta aberta: não é necessário agendamento prévio ou encaminhamento para o acolhimento inicial. A equipe multiprofissional avalia cada situação e constrói o cuidado de acordo com as necessidades da pessoa.


Isso ajuda a lembrar de algo essencial: pedir ajuda não precisa ser o último recurso.


Cuidar também é saber onde procurar ajuda

O Setembro Amarelo nos convida a falar sobre prevenção do suicídio, mas também sobre algo que vem antes disso: a importância de olhar para a saúde mental, reconhecer quando precisamos de apoio e saber que existem caminhos para buscar ajuda.


Ansiedade persistente, alterações importantes no sono, isolamento, perda de interesse pelas atividades que antes traziam prazer, sofrimento emocional intenso ou pensamentos relacionados à falta de sentido na vida são sinais que merecem atenção profissional.


Não existe uma única forma de cuidar.

Para algumas pessoas, o primeiro passo pode ser conversar com alguém de confiança. Para outras, procurar uma UBS, um CAPS ou um serviço especializado pode ser necessário.


E, diante de uma situação de emergência ou risco imediato, é importante buscar atendimento de urgência.


Se você ou alguém próximo estiver passando por um momento difícil, procure ajuda. Você não precisa atravessar isso sozinho.


O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, oferecendo apoio emocional e escuta.


Uma cidade também pode cuidar da gente

Talvez seja essa a principal reflexão que o Setembro Amarelo pode deixar para um bairro.


Uma cidade não é feita apenas de prédios, ruas, comércio e serviços.


Ela também é feita das relações, dos espaços de convivência, das instituições e das redes de apoio que ajudam as pessoas a viver melhor.


E conhecer essas redes também é uma forma de cuidado.


Porque um bairro não é feito apenas de endereços. É feito pelas pessoas e pelos lugares que ajudam a cuidar delas.